Poesia é um conjunto de palavras , que tornam a leitura perfeita.

10 de março de 2013


Solidão


Numa rua de Lisboa,
no meio da estrada.
Percorro-a sozinho,
está fria e molhada.

O outono está instalado,
o vento riposta nas árvores desfolhadas,
que de tanto agitar,
gritam exaltadas .

Não encontro ninguém.
Já anoiteceu.
Estou sozinho , perdido,
a lua arrefeceu .

Não consigo ver o luar,
nem a tua mão.
Estou a ficar preso.
No abismo da solidão.

A estrada afunda a cada passo que dou,
a cada flash do trovão.
O vento não amainou .

Não vejo ninguém ,
A chuva começa a cair ,
Quero ir-me embora ,
Quero fugir.


Fábio Jorge.

21 de maio de 2012





Inspiração


Hoje, o sol brilha ,
o vento agita ,
por de entre as minhas ideias ,
a Inspiração levita.

Mas , por breves momentos ,
a curiosidade aparece,
e fatalmente ,
a minha a mente a esquece.

Deixei-a fugir?
Como me aconteceu?
Fiquei como a noite ,
quando a lua perdeu.

Li este poema ,
para Inspiração voltar a ter ,
foi tentativa falhada ,
porque nada consegui escrever.

Perguntei ás letras ,
onde estaria a Inspiração para este poema ,
elas responderam de forma subtíl ,
que estaria na escolha do tema .

Escolha do tema ,
que a Inspiração  irá escolher .
Como conseguirei ,
Se a não estou a conseguir ter?

Mantenho-me mentalmente obscuro,
e o dia já escurece,
a Inspiração não vem ,
sinto um aumento de Stress.

Leio uma carta que recebi ,
e era de um abono.
Vinha da Segurança Social ,
que rapidamente me deu sono.

Encostei-me na almofada ,
para Inspiração pedir.
No meio de tanto bocejo,
Fiquei-me a dormir.

Estou de olhos fechados ,
e de repente... sonho a alta velocidade ,
estou num mar de Inspiração .
Será  verdade?

Se é.
Vou tentar arranjar tema .
Se não for , e estás como eu .
Volta a cima e lê novamente o poema .


Fábio Jorge







13 de março de 2011

Relato de um Touro Bravo.


Sou negro, forte e imponente,
Ao mesmo tempo inocente,
Amigo e natural,
Não percebo porque nos fazem tão mal.

Tradições, não são por vezes cultura,
São espaços no tempo que ficaram por preencher,
Espaços de tortura.
O que os Touros estão a sofrer.

Bandarilhas no meu corpo são espetadas,
Sem piedade ou ternura,
9cm o meu dorso é penetrado,
Estremecendo o meu coração magoado.

Ofegante estou, por tanto correr,
As minhas patas estão cansadas e são o meu suporte,
Bandarilhas caem a ferver.
A adrenalina leva-me para a morte.

Vejo os olhos raivosos de quem não ama,
Cheios de ódio e agonia.
Vingam-se em mim, sem dar razão.
Como conseguem tal rebeldia?

O areoso chão da praça semi vazia,
Ganha uma cor para mim antes desconhecida.
Uma cor encarnada escurecida,
Nos meus olhos ela é reflectida.

Penso porque terei aquele fim,
Tão desprezível e humilhante,
A minha dor, a dor …
Está cada vez mais sufocante.


Sinto o sabor do sangue,
Que me sai pela boca fora,
Desisto deste massacre,
Prefiro morrer,


Ir embora.



Fábio Jorge

8 de setembro de 2010

R

Muitas folhas estraguei
Muitas vezes desisti,
Muitas vezes risquei.
Mas sobretudo pensei…

Porque não é este o poema?
Não é a simetria das palavras,
Que o tornará perfeito,
È sim o valor que existe dentro das mesmas.

As palavras são escritas, com tinta de sentimento,
Essa tinta que está envolvida num tubo de amizade,
Esse tubo que é acolhido por uma transparente fibra de ternura,
Que na ponta solta a sua paixão, e que escreve tudo o que sinto por ti.

Essa caneta do amor, escreve.
No papel reciclado da vida,
Os sentimentos, emoções e aventuras.

Que nos marcam profundamente,
Onde nunca um ser chegou,
Um fundo intocável,
Onde o teu amor entrou.

Na porta dizia “closed”
Mas tu conseguiste entrar,
Onde já pensava que não ia caber nada,
Esvaziou-se e fizeste-o amar.

Não sei se será sonho, ou apenas um “dejá vu”
Deixa-me viver com intensidade,
Este amor.
Onde o importante, és tu.


Fábio Jorge

25 de junho de 2010

Cegueira


Um desenho no escuro,

Pintado sem figuras,

A orientação eu procuro.

Por entre as minhas ruas.


O preto é cor constante,

De vida em desassossego.

Como livros numa estante,

A disputar o melhor enredo.


Não sei, por onde andei.

Os meus olhos são negros tinta.

Apenas 4, eu sei.

Terei para que me sinta.


Um quadro no vazio,

Sem cores, nem profundidade,

Onde um simples assobio,

Respira a obscuridade.


Mas na verdade, eu vejo.

E vejo tudo ao pormenor.

Mas a cegueira, substitui por vezes.

Uma visão, que se chama Amor.


Fábio Jorge

22 de junho de 2010

Sempre

Sempre eu penso,
No que penso
Gosto imenso
É tão intenso.

No que pensei,
Não sei.
Mas a verdade
É que pensei.

Será que foi em ti?
Ou pensei em mim?
Só sei que pensei sim,
E que o meu pensamento está em ti.

Voa esse pensamento,
Como uma forte corrente,
E então ela passou.
E para mim o mundo mudou.

Vou elaborar outro pensar,
Pois és melhor que este olhar.
Não me vou esquecer nunca.
Que em pensamento, vou-te amar.

Fábio Jorge

16 de junho de 2010

Imagina

Imagina um sino a tocar,
Uma rocha a cair,
Uma flor a murchar,
Um mendigo a pedir.

Imagina um cão a ladrar,
Uma pessoa a morrer,
Imagina uma pessoa a fugir,
Para ninguém a conseguir ver.

Imagina uma ponte,
A cair sobre o Mar.
Imagina a agua da fonte,
Pessoas curar.

Imagina a paz, e também o amor.
Onde a terra fosse o alvo,
De harmonia sem dor.

Imagina este poema,
Escrito em Inglês.
“imagine” seria o tema.
Mais do que uma vez.

Imagina, o que eu seria sem ti,
Seria uma pobre imaginação.
Que vagueava por ai.

Imagina.



Fábio Jorge

15 de junho de 2010



Escuridão


Escuridão é a ausência de claridade,
Escuridão é a falta de visão,
Escuridão é a falta de piedade
Escuridão, és tu a tocar na minha mão.

Escuridão é quando não se entende,
Escuridão é quando dizes “por favor”.
Escuridão é quando se pretende,
Escuridão é a falta de amor.

Escuridão é, a “escuridão” mais breu,
Escuridão é a vida sem luz,
Escuridão, quando alguém se perdeu.
Escuridão, quando má vida traduz.

Escuridão, é sempre que se quer.
Escuridão, é sempre que se tiver
Escuridão é mais do que ter.
Uma vida, uma vida para se morrer.

Fábio Jorge

Happy Mozie




Momentos

Tranquilos, tristes e felizes,
É assim que passo contigo,
Como breves passos de perdizes,
Um realmente bom amigo.

Estás cá, para os maus momentos,
E também para os bons.
Teres uma verdadeira e forte amizade,
É um dos teus dons.

Momentos são aqueles sim,
Que passo a rir e a brincar.
Fazes tudo por mim,
Para um sorriso na cara mostrar.

Porque, por vezes
Nem só as pessoas o são.
Também de certeza que és,
O meu melhor amigo, meu cão.

Fábio Jorge