Cegueira
Um desenho no escuro,
Pintado sem figuras,
A orientação eu procuro.
Por entre as minhas ruas.
O preto é cor constante,
De vida em desassossego.
Como livros numa estante,
A disputar o melhor enredo.
Não sei, por onde andei.
Os meus olhos são negros tinta.
Apenas 4, eu sei.
Terei para que me sinta.
Um quadro no vazio,
Sem cores, nem profundidade,
Onde um simples assobio,
Respira a obscuridade.
Mas na verdade, eu vejo.
E vejo tudo ao pormenor.
Mas a cegueira, substitui por vezes.
Uma visão, que se chama Amor.
Fábio Jorge


